1 de fevereiro de 2014

Deus abençoe esta casa




Esta fotografia é de Rui Palha, tão humanista quanto ele. Vale a pena ler a história desta imagem, contada em http://leicaliker.com/2013/08/17/18-rui-palha-lisbon-portugal-street-photographer/. À laia de conclusão de uma outra entrevista (http://www.fotografiaderua.com/artigos/entrevista-rui-palha.html), este notável fotógrafo da vida humana-urbana dá as seguintes recomendações a potenciais fotógrafos de rua:
  • Goste das pessoas.
  • Respeite as pessoas.
  • Tenha sempre a capacidade de ouvir as pessoas, elas são verdadeiras lições de vida.
  • Tente entender as pessoas, os seus pensamentos, movimentos, sentimentos, alma.
  • Seja destemido e corajoso.
  • Tente estar o mais próximo possível das pessoas que deseja fotografar. Desta forma, vai conhecer e sentir a sua alma e vice-versa.
Mais do que um conjunto de recomendações para fotógrafos, poderia ser uma listagem de bons princípios para todos os que se relacionam ou trabalham com pessoas. Seria necessário apenas substituir o verbo fotografar por aquele que mais se adequasse à circunstância. Ficaria bem afixada na parede de um consultório, de uma escola, de uma repartição pública, de uma enfermaria hospitalar, de um gabinete ministerial ou do hall de entrada de uma qualquer casa de família, pendurada no prego onde ainda não há muito tempo costumavam suspender-se os obrigatórios dizeres "Deus abençoe esta casa".
Seguras pelo mesmo prego, antes e depois, talvez estas sejam duas maneiras distintas de dizer a mesma coisa.



25 de janeiro de 2014

Os nós e os laços





As grades encaminham ou aprisionam? Os ramos enlaçam ou estrangulam?
Quantas maneiras existem de alguém se ligar?
E de (se) encarcerar?


24 de janeiro de 2014

A dança da vida (parte 1)




Parece música. Aproxima-se. Ao virar da esquina…
— É mesmo uma banda! Nem de propósito! Só pode ser para nós!
Os pés, já cansados pela vida, ainda não esqueceram a dança, nem o corpo o gosto de dançar. Viver torna-se de repente um acto festivo. Apetece que dure para sempre. Lembra o delicioso final de “O amor nos tempos de cólera” de Gabriel García Márquez:

«O comandante olhou para Fermina Daza e viu nas suas pestanas os primeiros pingos de um orvalho de Inverno. Depois olhou para Florentino Ariza, o seu domínio invencível, o seu amor impávido, e ficou assustado pela suspeita tardia de que é a vida, mais que a morte, que não tem limites.
— E até quando pensa o senhor que podemos continuar neste ir e vir dum caralho? — Perguntou-lhe.
Florentino Ariza tinha a resposta preparada há cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com todas as suas noites.
— Toda a vida — disse.»