19 de outubro de 2019

Mona Lisa




Ao passar por uma loja de móveis, questionei-me: — Ir ao Louvre para quê?
Com um enquadramento tão aleatório e provisório quanto a própria existência — as costas de um frigorífico, um móvel feito só de interiores, um espelho, abat-jours de gosto duvidoso, bocados de camas e sofás — e aquela iluminação por candeeiros do mundo real, consegue-se uma integração entre a arte e a vida que nos faz repensar as duas e que não se encontra em museu nenhum do mundo.



17 de outubro de 2019

Rotundas da vida




Nas rotundas da vida, quando tantos caminhos são possíveis, há por vezes sinais que vêm ajudar-nos a escolher o sentido a seguir. Se um dia alguém se lembrar de colocar no mesmo poste uma seta para a esquerda a dizer "imperiais", lá vão regressar as crises existenciais.



21 de agosto de 2019

Uma curiosa obra do acaso




Em "Venda das Raparigas", uma localidade a meio caminho entre Lisboa e Coimbra, num espaço de não mais de 500 metros, podem contar-se seis sinais de trânsito daqueles em que uma menina é levada pela mão de um adulto. Uma curiosa obra do acaso. Ou talvez não...



15 de agosto de 2019

Taberna Raposo





Por cima da porta da esquerda pode ler-se: «Nesta casa meus senhores / Há encontros curiosos / Há caçadores e mergulhadores / E também muitos mentirosos». É na Taberna Raposo, uma pérola dos tempos em que os estabelecimentos eram ao mesmo tempo comerciais e sociais. Uma taberna tradicional, já com muitas décadas de vida, imaculadamente preservada, como devem haver muito poucas por todo o mundo. A fazer as honras da casa, na sua simpatia, o Sr. Mário Jorge Raposo, orgulhoso dos 40 anos durante os quais, inicialmente acompanhado pelo seu pai, tem mantido esta casa. Ali, bem no meio de Ponta Delgada, ainda hoje fregueses e amigos se confundem. Não se vai lá para consumir, mas para estar, conversar ou até jogar. Beber um copo é apenas um pretexto. Ficamos com saudades de um tempo que já não existe fora de templos como este. Uma parte de nós quer lá ficar.




O precioso hábito de conversar com a própria sombra





Chronos




No tempo vão-se incorporando e assim afastando, lentamente, as marcas com que um dia acreditámos conseguir eternizá-lo.