8 de novembro de 2020

Des-equilíbrios




Este homem, ainda jovem, barbado e desgrenhado, por dentro e por fora, vociferava com fantasmas seus com que se cruzava no seu andar errático. Gritava-lhes, como quem está zangado, num francês áspero que parecia procurar um qualquer sentido no vazio, como que a mostrar-nos quão frágil é esse equilíbrio, tecido em filigrana, a que chamamos saúde mental.



7 de novembro de 2020

Mudam-se os tempos...

 



A primeira destas fotografias, de 1995, um clássico, é de Elliott Erwitt. A segunda, de 2016, um plágio, foi feita por mim. Para qualquer plagiador que se preze, há algo de mágico em chegar mais de 20 anos depois ao mesmo local onde foi feita uma foto histórica, por um fotógrafo histórico e constatar que aquele é literalmente "o mesmo local": as mesmas pinturas, a mesma sala, o mesmo chão, a mesma iluminação e, como se isso não bastasse, também a mesma distribuição por géneros entre os visitantes. É caso para dizer "mudam-se os tempos, mas não as vontades".



20 de abril de 2020

Caminho




«Cada um tem a sina que tem
Os caminhos são sempre de alguém»

João Monge



16 de abril de 2020

Solidão





Metáfora de um outro desencontro




É uma fotografia das traseiras de um pavilhão do antigo hospital Júlio de Matos.
Podíamos colocar uma legenda assim: num hospital psiquiátrico há um caminho pedestre que termina com dois degraus que dão acesso a uma janela gradeada. Ao lado há uma porta, iluminada, mas não é aí que o caminho vai dar.
Também poderíamos descrever a imagem em sentido inverso: Num hospital psiquiátrico há uma sala com duas janelas gradeadas. Se porventura não fossem gradeadas e fossem portas, em vez de janelas, de uma delas seria possível aceder, descendo dois degraus, a um caminho que passa por entre as árvores do jardim.