28 de fevereiro de 2014

Profana-Sagrada Família




Tal como em todos os outros templos que sucumbiram ao turismo e à mediatização, há algo de profano na Sagrada Família de Gaudí. Poderá ser da abundância de quiosques de "recuerdos" nas redondezas; da competição pela conquista dos céus entre os pináculos e os omnipresentes guindastes; de ter permanecido desde sempre como um monumento inacabado; dos turbilhões de turistas que a invadem, como aquele que compôs estas imagens e que, nem unicórnios, se relacionam com o sagrado disparando sobre ele com a câmara que lhes prolonga o olho e fixa o olhar, mas os impede de ver, escutar, cheirar, sentir.
O sagrado vive de costas voltadas para o mundano e para o conflito, encerra em si a ideia de completude e, como o sol do meio dia, não se deixa olhar de frente.