5 de março de 2014

Estamos vivos




Papéis com uma fotografia tipo passe como esta e uma cruz impressa a negro, em formato A4 ou A5, afixados em locais de passagem, a anunciar o falecimento recente de alguém, apesar de comuns, causam impacto, perplexidade e dor em quem conhecia o falecido e são ignorados por quem o não conhecia. Em qualquer dos casos são notícia. Num mesmo lugar público, alguém noticiar que continua vivo e congratular-se por isso causa igualmente perplexidade, não só pelo insólito, mas também por se tratar de uma não-notícia. Como se a morte fosse mais merecedora de registo que a vida. Como se fosse suposto acordarmos todos os dias, para sempre. Os papéis com a cruz impressa estão lá mais para nos lembrarem de que estamos enganados a este respeito do que para nos darem notícias. Nós é que teimamos em não perceber.