9 de junho de 2014

Há pessoas assim (XI)






Uma manhã fiquei a observar os bandos de aves que cruzavam o céu. O seu voo parecia uma dança, elegante, ágil, sincronizada. Apercebi-me então de uma que destoava de todas as outras. Parecia mais mal acabada. Tinha formas um pouco toscas, aquadradadas, pouco elegantes, uma aerodinâmica duvidosa e fazia um ruído forte e irritante. O seu voar era menos ágil que o das companheiras, deslocando-se de forma robotizada, seguindo sempre na mesma direcção, sem inflexões, nem movimentos sinuosos. Seria de uma espécie menos evoluída ou poderia ter sofrido alguma mutação genética  pensei. Talvez se sentisse envergonhada ao passar entre as restantes. E se, apesar do que a aparência sugere, acontecesse, como tantas vezes já vi, justamente o inverso?  questionei-me. Se, vá-se lá saber porquê, aquela estranha ave  ou quem a tivesse feito  afinal se sentisse arrogantemente superior às outras? Mas logo reconsiderei:  Isso não seria possível! Só se fosse por inveja.