O Chinfrim do Silêncio
16 de março de 2022
2 de março de 2022
26 de dezembro de 2021
Natal profano
Passados os afazeres natalícios, o que mais gosto no Natal é de não fazer nada. Não fazer nada e empanturrar-me. E tudo isto — que é tão pouco, mas é tanto — na companhia de quem, comigo, não faz nada e se empanturra, com aquele prazer tão especial, que só o Natal nos traz, de juntos não fazermos nada e nos empanturrarmos.
No tempo em que o Natal era ainda mais Natal, terminado o repasto, debaixo de um sol breve de Dezembro, junto ao poço, comíamos as tangerinas que apanhávamos da árvore. Limpávamos à camisola as gotas de orvalho que em cima de cada uma permaneciam e cravávamos-lhe o polegar na casca, que depois de tirada devolvíamos à terra, atirando-a por cima do ombro. Combinávamos então uma caminhada para "assentar" o almoço e, assim, ganharmos espaço para o lanche que aí vinha. Logo que o sol se resguardava por detrás do frio que regressava, voltávamos à mesa e aos filmes natalícios, todos os anos os mesmos, tal como o bacalhau da véspera e o peru do almoço. Os rituais são assim, sempre iguais, sempre renovados.
Eram — e ainda hoje são — dias em que o tempo pára, que continuam no dia seguinte, não deixando de ser sempre o mesmo dia. A comida e a mesa são apenas pretextos para o eterno retorno àquele tempo fora do tempo em que voltamos a estar juntos — uns com os outros, com a nossa história, com aqueles que já não estando permanecem presentes... Não é possível passar o Natal sozinho!
1 de novembro de 2021
8 de novembro de 2020
Des-equilíbrios
7 de novembro de 2020
Mudam-se os tempos...
A primeira destas fotografias, de 1995, um clássico, é de Elliott Erwitt. A segunda, de 2016, um plágio, foi feita por mim. Para qualquer plagiador que se preze, há algo de mágico em chegar mais de 20 anos depois ao mesmo local onde foi feita uma foto histórica, por um fotógrafo histórico e constatar que aquele é literalmente "o mesmo local": as mesmas pinturas, a mesma sala, o mesmo chão, a mesma iluminação e, como se isso não bastasse, também a mesma distribuição por géneros entre os visitantes. É caso para dizer "mudam-se os tempos, mas não as vontades".
17 de julho de 2020
10 de maio de 2020
5 de maio de 2020
20 de abril de 2020
16 de abril de 2020
Metáfora de um outro desencontro
Podíamos colocar uma legenda assim: num hospital psiquiátrico há um caminho pedestre que termina com dois degraus que dão acesso a uma janela gradeada. Ao lado há uma porta, iluminada, mas não é aí que o caminho vai dar.
Também poderíamos descrever a imagem em sentido inverso: Num hospital psiquiátrico há uma sala com duas janelas gradeadas. Se porventura não fossem gradeadas e fossem portas, em vez de janelas, de uma delas seria possível aceder, descendo dois degraus, a um caminho que passa por entre as árvores do jardim.
19 de outubro de 2019
Mona Lisa
17 de outubro de 2019
Rotundas da vida
21 de agosto de 2019
Uma curiosa obra do acaso
15 de agosto de 2019
Taberna Raposo
Chronos
29 de novembro de 2018
17 de setembro de 2018
Companheiro de viagem
2 de setembro de 2018
O lugar do pensamento
16 de maio de 2018
São as ovelhas que pastam os pastores
23 de dezembro de 2017
O ciclo do sol
15 de abril de 2017
Viagem
Uma viagem é o diálogo entre nós, as sombras de nós que nela deixamos e as sombras que dela nas nossas guardamos
Facing life
«And right now I'm afraid, I'm afraid of walking away again, I'm afraid of what I might find, but I'm even more afraid of not facing this fear.»
Wim Wenders, "Paris, Texas"
1 de abril de 2017
Dança
19 de março de 2017
Quatro reflexões fotográficas sobre a liberdade
É no espaço interno que da luz, filtrada pelas grades, se forma a imagem.
17 de março de 2017
Notas de uma visita ao Hospital Júlio de Matos (CHPL)
1 de janeiro de 2017
Lugar para a eternidade
Quando um dia me finar
Que belo sítio para ficar
A fazer amor com as estrelas
Embalado pelo som do mar
16 de outubro de 2016
... poétiquement
29 de maio de 2016
O ciclo da lua
Chegada a madrugada, vem o camião porta-luas e leva-a, trazendo-a de volta no início da próxima noite.
1 de abril de 2016
26 de janeiro de 2016
O centro do mundo
Dão-se, de mãos dadas
A si, ao outro, ao mundo
Que está ali todo, imenso
Onde a terra, o mar e o céu se encontram
Também eles assim se dão
Cada um como sabe
Em caminhos, ondas, ventos, mãos
Que vêm ao encontro e encontram
E desafiam
Fazem o encontro e a vida
Viva
11 de outubro de 2015
Como podem, dentro de si, uma música conter tantas músicas, um lápis conter tantos desenhos, uma pessoa conter tantas pessoas…?
«Cada realidade contém muitas outras realidades dentro dela. É como se o mundo estivesse grávido de outros "munditos", de outros mundos muito melhores que este e há que ajudá-los a nascer.»
Eduardo Galeano in "O tempo e o modo", realização: Graça Castanheira
5 de agosto de 2015
Hardcore
Saber
é saber saber-te
sabermo-nos unir
unirmo-nos
é conhecermo-nos
sabermos ser
por fim sermos
é sabermos
sabermo-nos
conhecermos
a surda áspide
Ana Hatherly
Ana Hatherly












































