5 de abril de 2014

Imagens


I - Isto não é uma clarabóia




II - Depois da imitação, o original…




III - Esta (não) sou eu




A primeira imagem, se não estivesse escrito que não é uma clarabóia, dificilmente se perceberia que o é.
Já a segunda, a conhecida pintura de René Magritte, facilmente a identificaríamos com um cachimbo, não fosse o aviso do pintor de que não o é. Magritte era especialista na compreensão do infindável jogo de espelhos através do qual em nós relacionamos a(s) realidade(s) com as representações que dela(s) fazemos. Ele lançou o desafio de que alguém tentasse encher o seu 'cachimbo pintado', que constitui a representação de um cachimbo e por isso com ele facilmente se confunde, mas não é, de facto, um cachimbo.
A terceira imagem é um auto-retrato feito por uma senhora com cerca de 55 anos de idade, com um peso muito considerável e de expressão algo triste. Ao olhar de um observador externo, seria difícil encontrar imagem mais contrastante com a aparência de quem ela representa, tanto no que refere à postura, ao volume ou às formas corporais, como à maneira de se vestir. Questionada sobre a verosimilhança daquele auto-retrato, a autora considerou-o parecido consigo própria, não quando tinha 10 ou 20 anos, mas na actualidade. Como se o tempo tivesse parado algures e assim tivesse permanecido até hoje.
Dizia um spot publicitário de uma conhecida marca de relógios que 'o tempo é o que fazemos com ele'. A ideia parece conter dois sentidos que se influenciam mutuamente: 'como vivemos o tempo de que dispomos' e 'o que fazemos ao próprio tempo', o que inclui naturalmente a forma como o representamos. Tanto em relação ao corpo, como a tudo o que faz parte daquilo que somos, poderíamos fazer uso do mesmo raciocínio.